sexta-feira, 20 de junho de 2008

EMOÇÕES - JUVENTUDE

Passou pelo quiosque e comprou o jornal. Aquela hora da manhã havia pouca gente no shoping. Começou por um passeio pelas montras, para dar um sentido aquele dia tão especial, e por isso merecia caminhar sem sentido, sem pressas e sem destino. Sentia-se com forças e com vitalidade e minguem lhe daria os setenta anos que hoje ia comemorar. Não ia comprar nada, mas simplesmente olhar descontraído para as coisas e pessoas, sem ter qualquer obrigação a cumprir. Tinha saúde, estava bem disposto e presumara na toilete, o que lhe dava boa aparência. Mirou-se no reflectir do vidro duma montra e gostou de se ver. A menina dentro no balcão olhou e sorriu. Sentou-se num banco e com o jornal sobre os joelhos, observou as pessoas que passavam. O tempo quente de fim de verão convidava a poucas roupas e encontrou nas jovens que passavam um enlevo que o espantou. Nunca vira como agora, tanta graciosidade no andar, na pele sedosa, no meneio das ancas, nos seios firmes ou libertos, no sorriso, nos lábios, nos penteados descontraídos, nos olhares desprevenidos, na frescura do olhar, na espontaneidade do sorriso, e na elegância das mãos deslizando pelos cabelos. E veio-lhe à memória o tempo em que foi jovem e achou que nunca sentiu tanta beleza nas mulheres como naquele momento.
E o lago dos seus olhos encheu-se de humidade na lembrança da sua juventude irrecuperável.


Sem comentários: