quarta-feira, 17 de setembro de 2008

EMOÇÕES - A RECORDAÇÃO


Tem os olhos fixos no chão, mãos pousadas no regaço e a voz é quase inaudível. Refere que vive com os pais, que tem trinta e cinco anos e trabalha numa fábrica. Há quatro anos que tem uma ligação amorosa com um homem casado e que não consegue separa-se dele. Os encontros são muito raros devido à distância, mas mesmo assim não consegue romper. Há quinze dias tomou a resolução de separar-se dele e nesse encontro calculou tudo para ficar grávida. Sei que meus pais me vão expulsar de casa, que não vão aceitar, mas ao menos fica-me uma recordação dele!

VIDAS - UMA INFÂNCIA

Da minha infância recordo-me que me levaram com ano e meio para outra casa e de entrar numa sala onde estava um caixão com uma pessoa. Ali fiquei a viver. Algumas vezes penso se é possível ter esta lembrança nessa tão pequena idade, mas esta imagem vive bem nítida dento de mim. Até aos treze anos nunca soube quem eram os meus pais. A senhora com quem vivi todo esse tempo, minha ama, contou-me que minha mãe foi lá a casa e deu-me a ela. Depois foi para a França e desapareceu. Vivi com essa senhora, a quem tinha falecido o marido, quando fui para lá viver, até aos treze anos e onde nada me faltou. Um dia minha mãe veio-me buscar. Minha ama chorava, (como ela chorava!), sem coragem para me levar a casa de meus pais! Fui sozinha para a casa que ela me indicou, com as minhas coisas. Do outro lado da rua, sem eu saber, mas já os conhecendo, viviam os meus seis irmãos, minha mãe e o meu pai. Passei a partilhar a cama com todos os meus irmãos numa pobreza infinita e comecei a trabalhar numa fábrica, para no fim do mês entregar o dinheiro a minha mãe.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

VIDAS - O SEGREDO


Estamos casados há sete anos mas não temos nada em comum, nada um com o outro. Minha vida é meu filho de cinco anos e eu. Meu marido chega sempre tarde e não me lembro de uma só noite termo-nos deitado juntos. Claro que tenho tudo planeado para me separar, mas neste momento não tenho condições. Meu marido não sabe nada disto, nem lhe passa pela cabeça tal ideia. Sabe, tenho um quarto em casa com as minhas coisas, as coisas que são mesmo minhas e que vou levar quando for embora.