sexta-feira, 14 de novembro de 2008

VIDAS - TEMPO DE MORRER


Estou sentado ao lado da tua cama e vejo-te na semi obscuridade da sala de observações. Estás deitado e em silêncio. Já se me acabaram as palavras de consolação e fico a ouvir o rumor que nos chega do serviço de urgência. Tinhas sido internado umas horas antes, porque teu estado de saúde se agravara, depois dum longo caminho de sofrimento. Que te posso dizer? Olhávamo-nos sem palavras. Súbito, na tua lassidão, balbuciaste como quem se despede. “Sinto-me tão só”. E fechaste os olhos para sempre.

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