
Vinha com o neto. Vestia de preto e tinha a face marcada por traços que desenhavam amargura. Adivinhava-se pela humildade da postura dos dois, que viviam no campo. Ao seu lado cabisbaixo o neto em silêncio, pálido, de braços descaídos sobre as pernas. Quando a avó começou a falar a sua voz exprimia uma tranquilidade inesperada. Tinha oito anos e trazia-o à consulta só porque era um menino muito triste. E não tinha razão para isso, pois tudo estava bem na vida dele e na família. Não lhe faltava nada. Não sei donde lhe vem esta tristeza. Não sei porque anda sempre assim desanimado e com esta expressão nos olhos. E acrescenta com uma sabedoria vinda lá das profundezas das gerações: É que se não é
feliz agora, quando é que irá ser?
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